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12 de ago. de 2015

Ekklesia: Democracia Radical

Escrito por Leonardo Boff

ImageSempre que falamos de democracia, nos reportamos à experiência fundadora dos gregos que em suas cidades, os cidadãos exerciam o poder de decisão de forma direta consoante o princípio da predominância da maioria. Por mais que a idealizemos, especialmente, depois das teorizações de Platão e Aristóteles, a democracia era, na verdade, muito restrita. As cidades-estado eram pequenas e somente 1/6 da população exercia a democracia, concretamente, os cidadãos livres. As mulheres, os escravos, os artesãos, os estrangeiros e os imigrados eram excluidos. Mas a experiência grega se tornou referência para toda a reflexão política posterior.[1]

Entretanto, há uma outra experiência de democracia muito mais radical que a grega e que foi vivida pelas duas primeiras gerações de cristãos. Ela é paradigmática para todo pensamento utópico posterior, embora tenha sido abandonada pelo cristianismo vigente que se organizou numa forma oposta. Ela não ficou referência para o discurso político atual pelo fato de ter sido realizada nos quadros de uma experiência religiosa, pouco ou nada valorizada pelo pensamento laico e laicista. Hoje, a despeito seu nicho religioso, vemos a democracia cristã como qualquer outro fenômeno social. merecendo consideração especialmente quando se busca uma democracia radical, levada a todos os campos da convivência humana, aos movimentos sociais e também à economia, quer dizer, uma democracia sem fim.

A experiência geradora da democracia radical cristã foi a prática de Jesus: absolutamente anti-discriminatória, anti-hierárquica e de fraterndade universal. São Paulo resumiu tudo dizendo:"Agora já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus"(Gal 3,28). O resultado foi que escravos, livres, portuários, mercadores, advogados, soldados, independente de sua situação social e de gênero, formavam comunidades fraternais que viviam a "koinonia" (comunhão), palavra para expressar o comunismo radical de "colocar tudo em comum", repartindo os bens materiais "conforme as necessidades de cada um". E como louvor se diz que "não havia pobres entre eles"(At 2 e 3). Essa democracia era radical mesmo pois as decisões eram tomadas com a participação de toda a comunidade. A lei básica era: "o que concerne a todos, deve ser decidido por todos". Isso valia também para a nomeação dos bispos e dos presbíteros.

Chamou-se tal comunidade de "ekklesia" em grego, "ecclesia" em latim e "igreja" em português. O sentido original de "ekklesia" não era religioso, mas político: a assembléia popular. Escolheu-se esse nome profano para distinguir a democracia cristã de outras expressões religiosas da época.

Essa memória foi perdida na Igreja Católica. Perguntaram, certa feita, a João Paulo II se a Igreja era uma democracia. Respondeu: não; ela é uma "koinonia". Ora "koinonia" é sinônimo de democracia radical, coisa que seguramente o Papa não pensou. Com efeito, hoje como ela se estrutura, não é "koinonia". É uma monarquia absolutista espiritual organizada sob a influência das monarquias do passado. Como tal, fecha as portas à democracia cristã dos primórdiois. Ou só a aceita sob a forma inócua da espiritualização. É importante resgatarmos a memória revolucionária escondida na palavra "Igreja". Quem sabe, não inspira outro jeito de ser cristão e de ser cidadão?

Fonte: http://www.faculdadeunida.com.br/site/servicos/servicos-artigos/17-ekklesia-democracia-radical

[1] A Eclésia (em grego: Εκκλησία; transl.: ekklesia) era a principal assembleia da democracia ateniense na Grécia Antiga. Era uma assembleia popular, aberta a todos os cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos que tivessem prestado pelo menos dois anos de serviço militar e que fossem filhos de um pai natural da pólis (a partir do ano de 452 a.C. também a mãe o teria de ser).

16 de jul. de 2012

Como se desintoxicar do neopentecostalismo



Tenho recebido inúmeros relatos de pessoas que se dizem sobreviventes de igrejas neopentecostais e suas práticas equivocadas e até mesmo perigosas do ponto de vista bíblico. Uma frase em especial me chamou a atenção: “Estou tentando me desintoxicar, após anos no neopentecostalismo”, compartilhou comigo um internauta. Com isso em mente, permita que eu ofereça conselhos práticos de como fazer essa “desintoxicação”:

Ache uma igreja tradicional e que tenha uma Escola Bíblica Dominical para adultos.

Por que fazer isso? Sempre defendi que o que os tradicionais precisavam era se abrir mais para a atualidade dos dons espirituais. Continuo a defender essa causa. A igreja que mais abusou dos dons no mundo antigo, a de Corinto, foi a que recebeu de Paulo a seguinte admoestação: “Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons” (1 Co 12.31). Isso quer dizer que a cura para o abuso de dons espirituais não é abandoná-los, mas buscar o seu emprego com equilíbrio e afinco.

Não estou falando de abandonar o sobrenatural de Deus, mas de procurar quem o ensine com mais equilíbrio. Aqui temos de dar honra a quem honra é merecida. Os tradicionais, na sua grande maioria, são mais dedicados ao estudo das Escrituras. Batistas, presbiterianos, metodistas e congregacionais são os mais indicados. Há igrejas dessas denominações que não ensinam? Claro. Há igrejas dessas denominações sendo muito mal pastoreadas? Sim, muitas. Há igrejas de orientação liberal ou política entre elas? Tragicamente, sim. Mas há algumas que continuam a ensinar a sã doutrina. Ache uma. Digo isso não porque seja necessariamente a igreja que você vai frequentar pelo resto da vida. Mas encare isso como parte da sua “desintoxicação”.

Você precisa estudar a Bíblia a fundo. Um dos pecados da ala neopentecostal é o abuso ou o abandono das Sagradas Letras. Para quem quer se desintoxicar, tem que ser um “obreiro aprovado” (“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade” – 2 Tm 2.15).

Alguns talvez estranhem que eu não esteja recomendando a própria igreja que lidero, nem tampouco uma igreja pentecostal clássica. É claro que recomendo qualquer uma das Igrejas Cristãs Nova Vida (ICNV). São ótimas. Mas, quando se faz uma desintoxicação, é necessário se afastar de tudo o que pode te levar de volta ao vício. Toda e qualquer igreja pentecostal, inclusive a nossa, usa termos, jargões e conceitos que trazem ligeira semelhança com os do neopentecostalismo, mesmo que não sejamos neopentecostais. Como um Presbitério, reconhecemos que em tempos passados andamos perto de um neopentecostalismo tácito, só que há um bom tempo esse não é mais o caso.

Leia dois livros importantíssimos: O Fim de Uma Era (de minha autoria) e A Verdadeira Vitória do Cristão (de Maurício Zágari).  

Antes que alguém proteste que este artigo não passa de autopromoção, permita que eu diga que não recebo um centavo das vendas do meu livro, embora fosse absolutamente legítimo fazê-lo. Todos os direitos autorais são revertidos para fins missionais. Então promovo meu livro com a consciência absolutamente livre de qualquer consideração mercadológica. Acontece que esses dois livros ajudam a entender exatamente onde estão alguns dos problemas mais graves da cosmovisão da igreja atual. Quem os ler entenderá mais sobre o enorme engano que mora no seio da nação neopentecostal. As duas obras estão disponíveis em livrarias pelo país, como também no site www.editoraanoodomini.com.br

Aumente seu interesse por teologia.

O argumento “não preciso de teologia, só de Jesus”, é um apelo à ignorância e não acrescenta nada a nossa vida espiritual. Pelo contrário: teologia é a formação de conceitos corretos e bíblicos. É a maneira pela qual os pensadores organizaram o conhecimento bíblico e o traduziram à prática e ao culto cristão. Há muitas disciplinas de teologia: teologia bíblica, cristologia (sobre Cristo), pneumatologia (sobre o Espírito Santo), eclesiologia (sobre a Igreja), soteriologia (sobre a salvação) e outras mais. Uma boa Teologia Sistemática seria um santo remédio para quem quer botar os pés de volta no chão. Recomendo a da editora Vida Nova, escrita por Franklin Ferreira e Alan Myatt. Entre no site deles. É um livro grande e vai levar tempo para ler. Mas estamos falando de uma desintoxicação e isso não é feito sem um pouco de esforço.

Teologia é a linguagem da Igreja. Mesmo negando fazer teologia, os neopentecostais endoutrinam com a sua própria teologia. Só que não usam livros. Usam frases feitas, adesivos, chavões e uma cultura interna massacrante de autoajuda e pensamento positivo. A única maneira de renovar a sua mente (Rm 12.1,2) será por meio de um esforço mental consciente e excelente.

Desligue-se da televisão evangélica e das mesas redondas.

Neopentecostalismo se perpetua nas conversas do dia a dia. É nas frases feitas e afirmações positivas que ele cresce. É só mais um vigoroso “em nome de Jesus” pronunciado na hora certa que a intoxicação volta a acontecer. É só pelo “eu determino” sacado na hora “H” e seus brios neopentecostais vão deixar você arrepiado e “cheio de poder”. Lembre-se: os Alcoólicos Anônimos sempre dizem que o segredo é evitar o primeiro gole. Triunfalismo é um verdadeiro tóxico. Faz com que nos sintamos “poderosos”. É um engodo. Só com temor a Deus, pé no chão e o nariz nos livros é que você vai conseguir se libertar.

Vivemos dias de enorme corrupção nos quadros cristãos e evangélicos. Sob essa rubrica há de tudo: liberalismo, neopentecostalismo, ativismo político e uma série de males que estão desfigurando a face da Igreja de Jesus Cristo. Para quem está despertando para esta realidade, conte com a minha pequena contribuição neste blog, nos vídeos e nos livros.

Por: Walter Mcalister

9 de fev. de 2012

Falta tempo?


John Stephen Piper (11 de janeiro de 1946, Tennessee, EUA) é pastor, conferencista e escritor americano Batista Reformado, que atualmente serve como pastor sênior na Igreja Batista Bethlehem em Minneapolis, Minnesota. É muito conhecido por causa de seu livro "Desiring God", e por seu site de divulgação desiringgod.org.br.




30 de ago. de 2011

Deus mora lá na nossa rua

Há mais de 50 anos, o educador Paulo Freire propôs um método de alfabetização e educação de adultos que partia da vizinhança.

Em: 22/08/2011

Marcelo Barros

Quando dona Cora Coralina, a nossa grande poetisa da vida cotidiana, sugeriu ao presidente da República, que instituísse “O Dia nacional do Vizinho”, em nenhum lugar, havia ainda esta iniciativa. Atualmente, existe o “Dia europeu da Vizinhança”, celebrado no final de maio. A Argentina festeja o seu “Dia de los vecinos” no 11 de junho. O Brasil consagra como Dia dos Vizinhos o 20 de agosto, data do aniversário natalício da inesquecível dona Cora. 

Esta valorização da vizinhança se torna mais importante, em cidades maiores, nas quais edifícios substituem casas. Ali, embora, frequentemente, as pessoas se encontrem no mesmo elevador, muitas vezes, não se conhecem. Não é o mero fato de morar no apartamento ou na casa ao lado, que torna alguém vizinho. A pessoa pode viver durante anos em um lugar, se queixando da agitação, do calor, da poeira ou da insegurança. Outros têm plena consciência destes problemas e lutam para vencê-los, mas, assim mesmo, casam com a rua ou praça onde moram. Quando pessoas da mesma rua ou do mesmo condomínio pressentem em outras, esta relação vital com o lugar em que moram, aí se fortalece uma proximidade de convivência que é a vizinhança. Para ser bem vivida, esta precisa de uma educação para o diálogo e a convivência entre diferentes. Cora Coralina dizia: “Vizinho é mais do que parente, porque é o primeiro a saber das coisas que acontecem na vida da gente”. 

Em tempos anteriores à televisão e aos shoppings, nas cidades do interior, ou em bairros residenciais, toda noite, as pessoas costumavam sentar à porta de casa, para conversar e conviver. Normalmente, a roda de conversa acabava se abrindo também aos vizinhos e vizinhas. Assim, se formavam verdadeiras rodas de discussão, com assuntos como educação de filhos, relacionamentos conjugais e futebol. Hoje, a televisão e a cultura do shopping substituíram estes ritos de convivência, mas não resolvem o problema da solidão dos mais velhos e da futilidade de quem olha o mundo apenas pela janela do consumo descartável.   

Há mais de 50 anos, o educador Paulo Freire propôs um método de alfabetização e educação de adultos que partia da vizinhança. Formava círculos de diálogo e cultura entre vizinhos. Ali, as pessoas aprendiam a expressar sua posição sobre a vida e os problemas que enfrentavam. Mesmo perseguido pela ditadura militar, este método de conscientização se espalhou pelo Brasil, por outros países da América Latina e até em Angola e Cabo Verde, na África. 

Na mesma linha, na segunda metade dos anos 60, em várias regiões do Brasil, homens e mulheres de fé cristã, começaram a se reunir como vizinhos, para orar, ouvir juntos um texto bíblico, conversar sobre problemas da vida e fortalecer a solidariedade mútua. Foi o começo das comunidades eclesiais de base. Mais tarde, várias Igrejas evangélicas organizaram grupos semelhantes, como “Igreja em células” e “Igreja em quadros”, comunidades de convivência e proximidade, instrumentos de comunhão entre as pessoas.

Há mil razões para se valorizar a prática da vizinhança. Quem crê em Deus como Luz e fonte de vida, o contempla, não como alguém exterior a nós e que de fora intervém neste mundo, mas como presença íntima e profunda, no coração de toda pessoa humana, especialmente de quem se abre ao amor, independentemente de sua pertença religiosa. Um teólogo evangélico dizia: “Deus está em mim para você e em você para mim. Eu o encontro em você e, se quiser, você pode encontrá-lo em mim”. Por isso, podemos olhar nossos vizinhos e vizinhas, como sinais da presença divina. Eles são humanos e têm seus defeitos e limitações, mas se os olharmos assim, pouco a pouco, se transformarão, principalmente se perceberem que, de fato, cremos: através deles e no mais íntimo de cada um/uma, Deus mora lá na nossa rua.   

Marcelo Barros é monge beneditino, escritor e teólogo

Fonte: http://brasildefato.com.br/node/7213

22 de ago. de 2011

Imagina se fosse Teologia...

Família influencia na escolha e rejeita cursos alternativos.

Ocimara Balmant, Especial para o Estado - O Estado de S.Paulo

É claro que ninguém apanha ou é expulso de casa quando escolhe uma profissão que não agrada a família, mas aquela percepção de que hoje os pais não influem mais na decisão do filho também não é verdade.

Na parte qualitativa da pesquisa, os alunos responderam sobre os cursos que não receberiam aprovação dos pais. Na lista, há desde os mais óbvios, como Música ou Artes, velhos renegados por terem mercado de trabalho restrito ou baixa remuneração.

Quando avisou que iria prestar Publicidade e Filosofia, o estudante Paulo Henrique Lopes, de 17 anos, enfrentou resistência da mãe. "Ela odiou, acha que vou morrer de fome", conta ele. "Como é enfermeira, quer que eu faça Medicina. Mas nem considero a ideia. Prefiro ser feliz."

A mãe de Paulo ainda representa boa parte dos pais, que sonham que os filhos tenham profissões respeitadas e rentáveis. Mas já há exceções. Alguns alunos disseram que os pais não aprovariam sua escolha por Direito ou Medicina.

O motivo da rejeição ao curso está na rotina da profissão: com carga horária alta e muitos plantões.

15 de jul. de 2011

Reino de Deus na história?

Porque o Reino de Deus é tão mal expresso pela igreja brasileira?

Pergunta respondida pelo Pr. Ariovaldo Ramos durante evento da Missão Na Integra.

Isso é uma realidade mundial, não só nossa, até porque nós somos mais repetidores do que promotores, não temos teologia, mas repetições ou tradições teológicas. Não quero dizer que Calvino ou Lutero não tenham o que ensinar, porém temos que pegar o que ensinaram e ver o que fazemos com isso hoje, fazer nossa contribuição para igreja hoje, contudo mesmo quando temos contribuições são repetições. Eu saúdo os que estão fazendo propostas hoje de chamar a atenção da igreja para o Reino.

Este é um tema esquecido, desde muito. Principalmente porque a gente teve influência da escatologia dispensacionalista, e esta riscou o Reino da história, colocou-o do milênio para lá... E ficou uma coisa meio esquisita, pois Jesus tinha dito para buscar o Reino em primeiro lugar e sua Justiça, mas quando eles jogaram o reino para o milênio não sobrou nada para buscar de Reino nesta história, ...porque é para o milênio. Então pegaram o sermão do monte todo e jogaram para o Reino, para o milênio, para fora da história. Do século 18 para cá, as conotações sobre o reino praticamente desapareceram por causa desta escatologia, e isto vigorou no mundo todo.

Grande parte da igreja foi influenciada pelos Estados Unidos, e os Estados Unidos baniram o Reino para fora da história. Isto foi retomado à muito pouco tempo pelo pessoal da Teologia da Libertação e pelo pessoal da Teologia da Missão Integral, principalmente estes dois grupos. O pessoal da Teologia da Libertação com um viés liberal e o pessoal da Missão Integral com um viés ortodoxo (uma consciência do Reino com base na fé biblico-historica). 

1 de jul. de 2011

Essa praga chamada teologia liberal

Infelizmente existem inúmeros seminários teológicos neste país, que tem ensinado aos seus alunos conceitos absolutamente anticristãos. Tais seminários contrapondo-se a ortodoxia cristã admitiram em seu rol de professores, pessoas que negam a inerrância da Bíblia além de afirmarem que ela está repleta de mitos e lendas. Para estes, Adão e Eva não existiram. Na verdade, os liberais ensinam que ambos não passam de um símbolo para ensinar a humanidade que foi criada através da evolução. Se não bastasse isso, tais teólogos crêem que Jesus não fez milagres literais. Para eles, Jesus nunca teria andado sobre a água, nem tampouco multiplicado pães e alimentado uma grande multidão.

Quando ensinam a respeito do Espírito Santo o fazem de forma equivocada afirmando que o Espírito de Senhor não é um ser pessoal, mas sim a força e o agir de Deus. Além disso, paganizaram a Trindade Santa atribuindo-lhes gênero e sexualidade, afirmando através de seus ensinos que o Espírito Santo é a parte feminina de Deus.

Ao ensinarem sobre a ressurreição de Cristo, afirmam que tal fato não ocorreu, até porque, para estes, a mensagem central da Bíblia é a ressurreição de Jesus em nossos corações.

Caro leitor, infelizmente o número de pastores que relativizaram as Sagradas Escrituras em detrimento de uma teologia espúria se multiplica a olhos vistos. Sem sombra de dúvidas os conceitos liberais têm adoecido e sufocado o Corpo de Cristo, injetando no coração dos cristãos, valores que se contrapõem aos ensinos bíblicos.

Isto posto, creio que mais do que nunca necessitamos fazer da Palavra de Deus nossa fonte de fé. O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro.

Em tempos difíceis como o nosso precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento, até porque, somente assim conseguiremos corrigir as distorções provocadas pelo liberalismo teologico que tantos males tem feio a igreja de Cristo.

Pense nisso!

Renato Vargens

Fonte: http://renatovargens.blogspot.com/2009/06/essa-praga-chamada-teologia-liberal.html
Acesso em: 15/06/2011

25 de mai. de 2011

John Wesley, uma vida longa em poucas palavras


A vida de um homem que com sua paixão por Deus mexeu com a vida espiritual dos ingleses e com a estrutura social de seu país. John Wesley nasceu em 1703 e sua infância foi fortemente influenciada por sua mãe, uma mulher rígida e piedosa. Seu pai era um homem difícil de se agradar. Sua mãe acreditava que os desejos das crianças deviam ser subjugados e que eles deveriam ser disciplinados quando não se comportassem. John era o décimo quarto filho. Ele teria morrido em um incêndio em Epworth Rectory se não tivesse sido arrancado das chamas por um vizinho. Na época tinha sete anos e depois disso sua mãe o lembrou várias vezes que ele era “um tição colhido do fogo”. Mais tarde ele teve a certeza de que tinha sido poupado por um propósito, servir a Deus. Samuel, o pai de John, era um erudito, que por muitos anos trabalhou em uma obra monumental sobre o livro de Jó. Um pregador severo, para não dizer implacável, uma vez exigiu que uma adúltera andasse nas ruas em sua vergonha. Ele também forçou o casamento de uma de suas filhas depois que ela tentou fugir com um homem que não era o escolhido de seu pai. Com seu pai e sua mãe, John Wesley desenvolveu excelentes hábitos de estudo e também se acostumou com o sofrimento físico. John Wesley foi para Charterhouse School em 1714, para Christ Church College, em 1720, e em 1726 foi eleito membro na Lincoln College em Oxford. Depois de ser pastor auxiliar em Wroote, Lincolnshire, de 1727 a 1729, ele voltou à Oxford não apenas para continuar seus estudos, mas também para começar a viver uma vida mais devota e santa. Muitos outros jovens brilhantes tinham um curriculum como o de Wesley, mas poucos tinham a sua dedicação. Ele dominava pelo menos sete idiomas e desenvolveu uma visão verdadeiramente abrangente em todas as áreas da investigação. Quando ele voltou de Wroote para Oxford, ele assumiu a liderança de um grupo chamado Holy Club (Clube Santo), iniciado por seu irmão Charles. Lá era onde eles reforçavam a fé através do estudo das Escrituras e buscavam a santidade na vida de cada membro. O Clube Santo fazia muito mais do que refletir e orar. Eles iam às prisões levar a palavra de salvação aos prisioneiros. Embora eles fossem ridicularizados por seus companheiros de Oxford, de seu grupo de uma classe social mais baixa saíram homens que se tornaram importantes para aquele tempo, particularmente os irmãos Wesley, além de George Whitefield. O modo de vida de John Wesley exigia jejuns periódicos, encontros regulares para estudo e auto-avaliação pessoal. Somente muito tempo depois foi que ele percebeu que seu grupo seguia mais a letra do que o espírito do cristianismo. Em 1735 grandes mudanças atingiram John e Charles Wesley. O seu pai morreu e ambos foram para a colônia da Georgia, nos Estados Unidos, com a bênção e encorajamento de sua mãe. Lá foi uma prova para John, que entendeu que realmente não gostava muito dos índios e sua rigidez não era muito apreciada pelas pessoas da Georgia. Mas importante que isto, foi o contato de John na sua viagem com um pequeno grupo de morávios. Estes homens e mulheres destemidamente cantavam hinos durante terríveis tempestades no mar, ao mesmo tempo em que o próprio Charles se desesperava. Isso o fez querer conhecer mais sobre a fé que eles demonstravam ter. Em 1737 ele retornou à Inglaterra. Devemos apreciar a humildade de John Wesley, pois ele podia ser crítico o bastante consigo mesmo para parar suas atividades religiosas naquele momento e pensar que era um ministro experiente demais para examinar sua falta de fé. Peter Boehler, um morávio, deu-lhe a chave – pregar a fé até que ele a tivesse, e então ele pregava a fé. John Wesley lutou com sua falta de fé até 24 de maio, uma quarta-feira, em 1738, no famoso encontro de Aldersgate, foi quando ele teve uma conversão, uma profunda e inconfundível experiência de fé. Seu “coração foi estranhamente aquecido”. Então seu verdadeiro trabalho começou. Como tinha uma mente brilhante e aberta, John Wesley ainda conseguia retirar os melhores recursos das melhores mentes do seu tempo. William Law, por exemplo, foi seu professor, amigo e mentor por vários anos; mas Wesley achou que um ingrediente importante estava faltando no programa de Law para uma vida devota. Os discípulos de Platão conseguiram comunicar a Wesley uma estrutura intelectual que era mais espiritual do que material, mas os hábitos mentais de Wesley estavam moldados mais pelo modelo de análise de Newton do que pelo platonismo. Os morávios eram o mais perto de uma síntese de todos os elementos que ele desejava e pôde encontrar. Ele até mesmo visitou Herrnhut para saber como sua comunidade trabalhava. Mas algo estava faltando lá, como em todo lugar, e em 1740, ele e seus seguidores romperam com os morávios, mas não antes que ele tivesse aprendido a pregar sermões ao ar livre, o que veio a ser mais tarde uma parte essencial de seu ministério. John Wesley tinha 37 anos de idade quando começou a viajar e pregar. Ele freqüentemente exagerava o número daqueles que vinham ouvi-lo. Muitas vezes, as mesmas pessoas que precisaram de sua ajuda eram as mesmas que mais o perseguiam. Ele pregava em púlpitos até que eles fossem fechados para ele, e ele então pregava nos campos abertos. Ele pregava três vezes por dia, começando às 5 da manhã, uma vez que os trabalhadores poderiam parar para ouvi-lo enquanto andavam para o trabalho. Algumas vezes ele andava 60 milhas (mais de 90 quilômetros) por dia a cavalo. As condições do tempo não importavam; ele fazia seu programa e o cumpria, não importavam as dificuldades. Ele fugia de uma multidão zangada pulando num lago gelado, nadava para fora dele e continuava a pregar novamente. E tinha uma certa habilidade de trazer as pessoas hostis para o seu lado. Em 1741 foi para Gales do Sul, para o norte da Inglaterra em 1742, Irlanda em 1747, e Escócia em 1751. No total, foi à Irlanda quarenta e duas vezes e à Escócia vinte e duas vezes. Ele retornou à algumas cidades várias vezes. Houve ocasiões em que ele retornava anos depois de sua última visita e registrava que a pequena sociedade que ele ajudara ainda estava intacta e fiel. Ele examinava cada membro de cada sociedade pessoalmente para buscar crescimento espiritual e de fé. As sociedades então formadas proviam a organização local para seu movimento. O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo. Ele não pedia aos seus ouvintes para deixarem suas igrejas, mas para continuarem indo nelas. Ele lhes deu o refrigério espiritual que eles não achavam. Quando suas décadas de provação produziram décadas de triunfo, as multidões aumentaram. Ricos e pobres vinham para ouvi-lo falar. Ele desenvolveu redes de assistentes leigos. Suas exortações para viver perfeitamente em amor hoje parecem duras, mas considere os efeitos em suas congregações. Os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades. Wesley ensinou tanto pelo exemplo como pelos seus sermões. Ele publicou muitos de seus textos para serem usados em devocionais e direcionou o lucro para projetos, como um local de ajuda para os pobres. Sua vida pessoal estava além de reprovação. Ele traduziu hinos, interpretou as Escrituras, escreveu centenas de cartas, discipulou centenas de homens e mulheres e manteve em seus diários um registro da energia investida, que dificilmente tem um rival na história ocidental. Sua maneira de falar na linguagem do homem comum teve um impacto imensurável no surgimento do inglês moderno, assim como os hinos de Charles Wesley tiveram um grande impacto na música com suas muitas canções sem mencionar a poesia da subseqüente era Romântica. Mas o impacto dos Wesleys nas classes mais baixas foi além de afetar seus hábitos de vida e modo de falar. John Wesley proveu uma estrutura religiosa que era local e pessoal, bem como fortemente moral. Sua teologia não tirava a liberdade e o direito de ninguém, pois qualquer um podia achar a graça de Deus para resistir ao diabo e ser salvo, se tão somente buscasse e recebesse. As sociedades que ele formou preservaram em seus estudos o foco na fé – uma fé que também levou a uma maneira de lidar com a realidade da vida das classes mais pobres. A religião não era só para os ricos, mas Wesley também não estava pregando uma revolta contra o anglicanismo. O anglicanismo de John Wesley era muito forte, embora os púlpitos anglicanos tornassem-se totalmente fechados para ele. Só quando tinha oitenta e um anos ele permitiu uma pequena divisão entre seus seguidores e a igreja nacional. Tendo já enviado muitos homens à América, em 1784 ele ordenou mais pessoas para este esforço missionário e, porque “ordenação é separação”, efetivamente começou uma nova igreja. O conservadorismo dele era tanto político como religioso. Ele publicou uma carta aberta às colônias americanas, aconselhando-as a permanecerem leais à Grã-Bretanha, logo antes da Revolução Americana. Ele não tolerava nenhuma conversa sobre agitação civil na Inglaterra. Muito se tem discutido acerca de que outras forças estavam trabalhando na Inglaterra além de Wesley e uns outros poucos pregadores. Por exemplo, a Revolução Industrial que estava vindo progrediu mais rápido na Inglaterra do que em qualquer outro lugar, dando aos homens novos tipos de trabalho; a justiça do Sistema de Paz e o sistema de governo com um Primeiro-Ministro eram únicos na sua forma e deram muito mais poder do que era possível em qualquer outro lugar à classe média local e os grandes problemas que poderiam de outra forma causar revolução, simplesmente não estavam presentes na Inglaterra depois de 1750. Ainda assim sem Wesley e seus seguidores como poderia o ateísmo, tal como existia entre os camponeses franceses, ser evitado e como poderia uma classe inferior oprimida e dominada pelos vícios, ter esperança? John Wesley morreu em 2 de março de 1791, cerca de três anos depois que seu irmão Charles morreu. Até seus últimos anos, ele colocou a mesma frase de abertura em seu diário, como fazia a cada ano no seu aniversário, agradecendo a Deus por sua longa vida e sua contínua boa saúde, afirmando que sermões pregados de manhã logo cedo e muita atividade ao ar livre o mantiveram em forma para a obra de Deus. Desde o momento em que ele tornou-se livre de influências, exceto a de Deus, ele teve cinqüenta anos de serviço constante e fez um bem imensurável à Inglaterra através da perseverança, resistência e fé. Seu legado não se limitou ao seu século ou país, mas sobrevive até hoje na fé de milhões em várias igrejas ao redor do mundo. A seguinte frase foi escrita em seu diário em 28 de junho de 1774: Sendo hoje meu aniversário, o primeiro dia do septuagésimo segundo ano, eu estava pensando como posso ter a mesma força que tinha trinta anos atrás? Que a minha visão esteja consideravelmente melhor agora e meus nervos mais firmes do que eram antes? Que eu não tenha nenhuma enfermidade da velhice, e não tenha mais aquelas que tive na juventude? A grande causa é, o bom prazer de Deus, que faz o que lhe agrada. Os meios principais são: meu constante levantar às quatro da madrugada, por cerca de cinqüenta anos; o fato de geralmente pregar às cinco da manhã, um dos exercícios mais saudáveis do mundo; o fato de que nunca viajo menos, por mar ou terra, do que 4500 milhas (mais de 6.750 km) por ano. Fonte:Revista Cristianismo Hoje http://cristianismohoje.com.br

23 de jan. de 2011

Conceitos e Definições - Salvação.

A salvação é com certeza a principal doutrina que nos é ensinada através da Bíblia, constitui-se também como espinha dorsal do cristianismo. A salvação é a aplicação da obra de Cristo na vida do individuo. Desta maneira a doutrina da salvação passa a ter importância impar, já que diz respeito a mais crucial das necessidades do homem. A salvação tem uma área de atuação ampla e complexa do ensino bíblico e da experiência humana possuindo várias facetas que alguns teólogos costumam chamar de “Pacote da salvação” onde cada “item deste pacote” será aplicado à vida do salvo em algum momento de sua história: o chamado, a conversão, a regeneração, a união com Cristo, a justificação, a adoção, a santificação, a perseverança e a glorificação. Alguns teólogos, dependendo de sua escola, apresentam a salvação com mais ou menos facetas ou um “pacote com mais ou menos itens”, mas em suma comumente usam-se os que aqui foram apresentados, uma salvação completa: “Fui salvo. Estou sendo salvo. Serei definitivamente salvo”.[1]


[1] MILLARD J. Erickson, Introdução a Teologia Sistemática, 369.

Item Salvação do tópico Conceitos e Definições do TCC "Salvação pela Fé e Santidade - Conflitos da Pregação Moderna". Elaborado por Rodrigo D. Silva e apresentado à Faculdade Batista do ABC em 12/2010.

Até mais;
Rodrigo D. Silva

2 de jan. de 2011

Revista Teológica - CBN

Olá pessoal.

Em 2010 tive a oportunidade de escrever um artigo para Revista Teológica da Convenção Batista Nacional. O artigo foi escrito com base numa monografia entregue ao Prof. Mauricio Abreu de Carvalho, por exigência da disciplina de História dos Batistas Nacionais na Faculdade Batista do ABC.

Segue a revista para leitura:


Se preferir faça o download do artigo clicando aqui.

Até mais;
Rodrigo D. Silva.

14 de nov. de 2010

Barreiras para Construir uma Teologia do AT.

Desde os pais da igreja até a reforma protestante, tudo o que se sabia sobre Deus e os seus tratados estavam organizados em temas. Portanto quando se fala de Teologia neste período está se falando de uma Teologia Sistemática; Teologia Sistemática é um estudo organizado em temas de tudo aquilo que se diz a respeito de Deus, neste período a Teologia explicou alguns conceitos a luz da filosofia grega, como por exemplo, Thomás de Aquino e as 5 provas da existência de Deus (escolástica).

Foi a partir da reforma protestante que se falou a respeito de uma Teologia do Antigo Testamento, Lutero usou o método de interpretação da Bíblia solo scriptura, o que quer dizer que a Bíblia se explica nela mesma, e, somente 100 anos depois é que surge de fato uma Teologia do Antigo Testamento através de Gabler. Gabler desenvolve uma Teologia do Antigo Testamento como suporte para a formação de uma Teologia Sistemática, ou seja, a Teologia do Antigo Testamento ainda estava, em certo sentido, a serviço da Sistemática, mas j’a buscando para si uma independência. O discípulo de Gabler, Bauer, faz a separação das duas teologias, ele diz que uma é Teologia Sistemática e outra a do Antigo Testamento, a metodologia adotada foi da critica Bíblica moderna.

13 de nov. de 2010

Prefácio a Carta aos Romanos - Lutero.

Martinho Lutero, (1483-1546)
Notas de tradução: O texto dentro dos quadros [ ] são apenas explicativos e não faz parte do prefácio de Lutero, assim como os textos em{ } que foram usados pelo tradutor brasileiro. O termo justo, justiça e justificar são sinônimos dos termos reto, retidão e se tornar reto. Ambas as traduções são comuns do alemão "gerecht" e palavras correlatas. Uma situação similar existe na palavra fé, que é sinônimo de crença, do alemão "Glaube". Assim, "Nós somos justificados pela fé" é sinônimo de "Nós somos feitos retos pela crença".

Esta carta é verdadeiramente a mais importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro. É de grande valor para um Cristão não somente para memorizar palavra por palavra, mas também para o ocupar com isso diariamente, como se fosse o pão diário da alma. É impossível ler ou meditar nesta carta {tão pouco}. Quanto mais alguém lida com ela, mais preciosa ela se torna e melhor ela saboreia. Por esta razão, eu quero completar meu serviço e, com este prefácio, prover uma introdução para a carta, a medida que Deus me dá habilidade, de maneira que qualquer um possa obter o mais profundo entendimento dela. Até agora ela tem sido escurecida{colocada em trevas} pelas interpretações [notas de explicação e comentários que acompanham o texto] e por muitos um comentário sem uso, mas está dentro dela própria uma luz resplandecente, quase resplandecente o suficiente para iluminar toda a Escritura.

Vida Ministerial e o Fim de João Batista.


1 Sua Vida Ministerial

Podemos observar que no evangelho de Lucas diz que João Batista viveu no deserto até o tempo de manifestar-se a Israel, (Lc. 1.80), Esperou no deserto, esperou muito tempo. Segundo alguns estudiosos a espera pode ter sido de até 15 anos. “O ministério de João Batista tinha por propósito preparar o povo de Israel moral e espiritualmente para o advento do Messias”.[1]
“João estava chegando aos vinte e oito anos de idade. Como sacerdote, não poderia agir, pois os ministros do altar começavam, de acordo com a lei, aos trinta. João não estava ligado ao círculo sacerdotal. Também não era um profeta como os do Velho Testamento. Era um mensageiro especial”[2].