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17 de fev. de 2012

Depois do Carnaval

Marina Silva

Chegamos, finalmente, a mais um feriadão de Carnaval, para depois, segundo dizem, tudo começar a acontecer no Brasil.

Geralmente, em nossa viciada cultura da procrastinação, do “deixa para depois”, aproveitamos as datas festivas e comemorativas como desculpa para continuarmos protelando tudo aquilo que nos incomoda, ou que é mais difícil de fazermos acontecer.

Esperamos passar a Semana Santa, o Natal, o Ano-Novo e as férias de verão até chegarmos na convincente constatação de que, em nosso país, as coisas só começam a acontecer depois do Carnaval.

O drama desse “avestruzamento” coletivo é que a realidade dos problemas que precisam ser enfrentados -e que, a cada ano, acabam sendo deixados para depois do Carnaval- não pode ser indefinidamente armazenada como se fosse uma fantasia de um desfile malsucedido, que nunca mais queremos ver repetir-se.

Esses problemas aparecem e reaparecem nos salões e nas avenidas do cotidiano de nossa realidade política e social na forma de muitas faltas -por exemplo, uma adequada reforma da segurança pública que dê dignidade e segurança não apenas para quem precisa da polícia mas também para quem faz a polícia.

Manifesta-se ainda no ensaio do terceiro round do Código Florestal na Câmara dos Deputados, onde já se anuncia uma espécie de “telecatch” entre o projeto aprovado no Senado e o projeto “fake” radical ruralista, com o intuito de aparentar divergências entre os ruralistas e a base governista.

São muitos os que esperam esse “para depois” passar para serem vistos e respeitados: os atingidos pelos desastres ambientais, os banidos do Pinheirinho (em São José dos Campos, cidade no interior do Estado de São Paulo), que reclamam em nós, e não de nós, uma solução para o vergonhoso êxodo a que são submetidos, as vidas assoladas compulsoriamente pelo crack a reclamarem do Estado mais ação preventiva do que repressão.

Todos precisamos de descanso, de refrigério, de tempo para encerrar ciclos. Mas o Estado, os governantes, as autoridades políticas que recebem da sociedade o nobre mandato de zelar por seu bem-estar, pelo desenvolvimento do país, não têm direito ao descanso do “deixa para depois”.

O país, em muitos aspectos, vive um momento excepcional de crescimento, de expansão. Entretanto nós não podemos nos enganar. Não queremos ser como um vagão puxado pelas locomotivas de outras nações.

O Brasil que ainda patina com graves problemas estruturais, que precisa melhorar tanto, por exemplo, na educação, não pode perder tempo.

via Folha de S.Paulo

19 de set. de 2011

Belo Horizonte realiza hoje marcha pelo estado laico

Acontece também em Belo Horizonte a marcha pela laicidade no Brasil. A Marcha pelo Estado Laico se concentrará na Praça Afonso Arinos, dia 17 de setembro, às 14 horas.



A Praça Afonso Arinos, que já foi conhecida como Praça da República e palco da resistência estudantil ao Golpe Militar, será o local de concentração para a Marcha pelo Estado Laico em sua edição de Belo Horizonte. A partir das 14h de sábado, dia 17, ativistas de vários movimentos sociais irão se preparar para seguir trajeto até a Pça. da Liberdade.

As Marchas pelo Estado Laico surgiram em oposição ao aumento das interferências de grupos religiosos em políticas públicas brasileiras. Apesar de a definição constitucional de nosso Estado ser laico, há vários exemplos de crenças e moral de base religiosas sendo usadas para determinar e limitar o debate público acerca de leis e ações estatais. No legislativo, parlamentares confundem a representação dos interesses do povo com a imposição de valores e moral religiosa a toda uma população. Juízes decidem seguir “lei de Deus” em vez dos princípios constitucionais e determinações legais. E mandatários do poder Executivo subsidiam essa postura, fazendo alianças e acordos com instituições religiosas.
Assim, a reinvidicação da Marcha pelo Estado Laico é pela discussão à luz da Constituição e afirmativa do

Estado Democrático de Direito. Traz à pauta assuntos caros à sociedade tais como diversidade religiosa e liberdade de crença, fortalecimento da educação laica, casamento entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização do aborto, criminalização da homofobia, entre outros, de forma que reflita o conjunto da sociedade brasileira, plural e diversa.

A Marcha pelo Estado Laico já aconteceu em São Paulo e Recife (21 de agosto), no Rio de Janeiro (25 de agosto), em Florianópolis (30 de agosto). Acontecerá em Belo Horizonte e Curitiba (17 de setembro), além de Brasília (30 de novembro).

Fonte: http://revistaforum.com.br

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Cresce o número de pessoas que não querem a intervenção de nenhum movimento religioso, em especial de linha Cristã, no âmbito politico de nosso país. Devemos analisar a que se deve esta ojeriza. Se deve ao fato de estes que não possuem uma linha religiosa definida quererem o sucesso de seus movimentos (homossexual, pró-aborto...) ou aos constantes erros éticos e morais, que ganham conotação de hipocrisia, por parte destes representantes "religiosos"?

Fica a pergunta para reflexão.

Até mais;
Rodrigo D. Silva

8 de set. de 2011

Marcha contra corrupção ofusca desfile em Brasília

A Marcha Contra a Corrupção, convocada pelas redes sociais na internet, ofuscou o desfile comemorativo do 7 de Setembro, em Brasília, historicamente marcante por causa da participação do presidente da República e das Forças Armadas.

Cerca de 25 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, caminharam ontem por uma via da Esplanada dos Ministérios para protestar contra a série de escândalos que marcam a política contemporânea brasileira. No mesmo momento, a presidente Dilma Rousseff estreava, do outro lado da rua, no papel de primeira mulher presidente a comandar a cerimônia nacional do Dia da Pátria.

A forte segurança do 7 de Setembro impediu o contato de integrantes da marcha com participantes do desfile oficial. O sucesso do protesto ocorreu uma semana após congresso do PT demonstrar que não apoia nenhum tipo de "faxina" anticorrupção no governo e de considerar que esses movimentos eram parte de uma "conspiração midiática" e uma forma de promover a "criminalização generalizada" da base aliada ao Planalto.

A marcha evitou as referências partidárias. Membros do PSOL tentaram levar bandeiras do partido, mas foram impedidos de seguir adiante com os adereços. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) ensaiou entrar na marcha, mas, advertido, preferiu apenas acompanhá-la discretamente.

Vestidos de preto, com narizes de palhaço, faixas e cartazes, os manifestantes criticaram a absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), na semana passada, o voto secreto no Congresso, os recentes escândalos de corrupção no governo e a manutenção do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no comando do Legislativo. Pediram até a destituição de Ricardo Teixeira da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Exigiram, ainda, a aplicação imediata da Lei da Ficha Limpa - que depende de julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma faixa vinculava o nome do ditador líbio Muamar Kadafi à política brasileira, lembrando que qualquer um pode se candidatar, independentemente da ficha criminal. "Kadafi, não importa o seu passado, no Brasil você pode ser deputado."

Em oito meses de gestão, Dilma foi obrigada a trocar Antonio Palocci, Alfredo Nascimento e Wagner Rossi por conta do envolvimento deles em suspeitas de corrupção na Esplanada.

O protesto começou tímido no Museu Nacional de Brasília, por volta de 9h, com 2 mil pessoas, mas foi engrossando com a adesão de quem foi ao desfile oficial. No fim, ao meio-dia, na Praça dos Três Poderes, a marcha chegou a 25 mil pessoas, segundo balanço da PM. A rede social Facebook foi a principal ferramenta de convocação, observou Luciana Kalil, 30, uma das organizadoras do protesto.

Acesso em: 08/09/2011

11 de jul. de 2011

Desfiliação de Marina Silva: Possíveis Impactos.

Marina Silva candidata a presidência da república em 2010 que angariou mais de 20 milhões de votos pediu desfiliação do PV. Nesta ultima quinta-feira, 07, Marina Silva juntamente com outros 15 aliados pediram desfiliação do Partido Verde, partido fundado em 1986 que possui como principais características a luta pelas causas ambientais e sociais. Marina fez parte do PV por quase 2 anos (exatos 22 meses), e estava nele quando se candidatou a presidência em 2010.

A carta de desfiliação teve a seguinte introdução: “Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas, experimentando a convivência na diversidade, a invenção de novas maneiras de resolver problemas solidariamente, indo à luta à margem.” No decorrer da carta que está disponível no endereço: www.minhamarina.org.br está descrito o relato de que Marina e aliados não encontraram no PV apoio para levar adiante alguns projetos que tem como objetivo uma "nova forma de fazer política", buscando "o diálogo horizontal com a sociedade por meio de redes sociais – digitais ou não, a sustentabilidade como valor central para um projeto de desenvolvimento e muitas outras que receberam ampla adesão social"

Esta atitude com certeza trará algum impacto para o cenário político brasileiro. Desde as eleições passadas as noticias relacionadas à Marina tem ganhado grandes proporções, especialistas políticos avaliam a desfiliação considerando duas principais conseqüências a primeira é que Marina ao sair leva consigo os votos conquistados em 2010 deixando assim o PV “a ver navios”; a segunda é Marina ao sair juntamente com uma quantidade considerável de aliados pode fundar um novo partido, uma nova sigla, ou até mesmo fortalecer o Movimento Marina iniciado no ano passado e a partir deste dar continuidade dia a dia em sua campanha e participações político-ambientais.

Para os cristãos, em especial os evangélicos esta desfiliação não pode ser negligenciada. Sabe-se que um percentual considerável do eleitorado de Marina Silva é composto por cristãos, em sua grande maioria protestantes, evangélicos de todos os seguimentos – de históricos a neopentecostais.  O reflexo positivo que esta desfiliação pode produzir neste sentido é a convergência de muitos líderes e pensadores cristãos relevantes de nosso período ao novo Movimento/Partido que pode ser iniciado por Marina e aliados.

A expectativa de algo positivo nesta desfiliação deve ser nutrida. Existem inúmeras questões políticas e sócio-ambientais que na óptica cristã tem sido desconsideradas pelas lideranças políticas atuais e que podem receber sua devida relevância neste novo cenário que está prestes a surgir. Contudo sabe-se que a teoria mantém certa distancia da prática, os motivos desta desfiliação, bem como as ideologias que estão sendo formuladas devem ser colocadas em prática com certa urgência, para isso Marina e aliados precisarão contar com um número bem superior a 20 milhões de votos. 


Por Rodrigo Diego da Silva

24 de dez. de 2010

Dom Manuel Edmilson Cruz recusa comenda no senado.


Neste dia repleto de religiosidade, vale a reflexão sobre o ato singelo e profundamente corajoso – que lavou a alma dos brasileiros que ainda não perderam totalmente a capacidade de se indignar – do bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson Cruz. O tapa com luva de pelica que deu nos políticos ao recusar, em pleno Senado, a comenda Dom Helder Câmara – por causa do aumento de salário que os deputados e senadores concederam a si próprios – ressoou mais do que protestos em praça pública ou artigos da imprensa. Sem violência ou ranger de dentes, fez cair a máscara dos políticos irresponsáveis – atitude diferente da de um palhaço que acaba de virar deputado e disse, ao entrar no Congresso, que chegava “numa boa hora”, referindo-se ao aumento.

O gesto não foi uma crítica exatamente ao salário dos parlamentares. Não se deve achar ruim um deputado ou senador ganhar bem. Até porque, se ganhasse mal, a maioria teria isso como eventual desculpa para a corrupção – quantas e quantas vezes já ouvimos que os policiais se curvam aos bandidos porque ganham mal?

A indignação vem do oportunismo, da busca da brecha na lei, da falta de escrúpulo, da impossibilidade de contestação de uma ação tão flagrantemente legal quanto imoral. Dom Manuel foi longe ao apontar caminhos para minimizar o escândalo: um reajuste no salário dos políticos deveria ser concomitante e do mesmo tamanho do aumento do salário mínimo e das aposentados. Isso porque o religioso é generoso com os parlamentares, porque até esse paralelismo é discutível.

Tudo isso só acontece porque a classe política não se vê como servidora pública. Agem, em sua maioria, seus integrantes de modo totalmente contrário, ou seja, servindo-se da famosa “coisa pública” com apetite voraz. Se os serviços que prestam fossem compatíveis com a fartura de recursos que recebem, talvez dom Manuel até aceitasse a comenda. O mais desesperador para quem zela pelos interesses públicos é que a solução para esse e outros problemas seria uma ampla reforma política. Mas quem pode alimentar essa “galinha” é justamente a raposa.

Apesar desses pesares, um feliz Natal para todos.
 
Fonte:
Jornal da CBN;
 
Até Mais;
Rodrigo D. Silva.